
Nunca pensei que fosse me sentir tão realizada por me vingar. Geralmente, sou reconhecida por ser boboca, amante das pessoas - principalmente crianças - e bichinhos, e boazinha demais. Realmente, é muito difícil de alguém me ouvir dizer "Odeio fulano".
Existe um Fulano, porém, que é o escolhido pra representar todas as pessoas que eu 'não me agrado'. Na verdade, eu tenho de admitir que sinto muito ódio dele. Raiva, raiva, muuita raiva. Se bem que ontem pude extravasar, relaxar, e agora esta pessoa é menos que uma planária na minha vida :D
Quem é ele? Um mero motorista de ônibus.
Sabe quando você entra no veículo, lotadaaaaço, com aquelas pessoas naturalmente cheirosas e belas e, pra ajudar, um motorista mal humorado olha pra tua cara como se tivesse engolindo constantemente algo semelhante à merda, ou sei lá, qualquer outra coisa nojenta e desagradável? Pois é, esse é o dito cujo: um simpatissíssimo motorista que demonstra estar completamente de bem com a vida, se é que você me entende.
Foram três experiências: a primeira vez que entrei no ônibus, o sujeito começou a xingar baixo e resmungar porque eu tinha dado uma nota de R$10,00 e ele, sendo também o cobrador, teria trabalho pra me dar o troco; a segunda vez, com o ônibus lotado (e já tendo enfrentado mais uma vez aquela cara agradabilíssima), a simpática criatura não parou no ponto que eu desceria. Já fiquei muito, mas muito puta com a situação. Pra piorar maais, a gota d'água foi quando, numa terceira vez, ele novamente não parou no ponto que eu solicitei. Resultado: saí espumando do ônibus, xingando a Virgem Maria e todos os santos, e prometi pra mim mesma que não iria mais pisar naquela escada e subir naquele maldito ônibus.
Comentando o assunto com um colega no cursinho, pude enxergar a situação por uma outra perspectiva: "Se o cara é mal humorado sem motivos, teoricamente eu deveria dar algum motivo pra ele realmente ficar mal humorado!". E, realmente... por que eu deixaria o cara estragar meu dia? Eu tinha que estragar o dia dele também! Assim, ele teria motivos pra ter aquela cara de idiota. A sugestão que meu colega deu? "Se eu fosse você, levava o dinheiro da passagem em moedinhas de R$0,05 e, acidentalmente, derrubaria tudo, olharia pra cara do motorista, diria 'relaxa companheiro, tá certinho' e passaria pela catraca alegre, sorridente e cantando, é claro".
Puts, fiquei pensando. Isso seria uma solução melhor do que a encontrada por mim, que era a de, quando eu via que era o tal motorista, entrava no ônibus, olhava pra cara dele, e saía. Poooxa, mas assim eu é que estaria me prejudicando, certo?
E onteeeeeeeem, por uma simples coincidência do destino, qual o ônibus que eu encontrei? Siiiim, meu amigão (6). Não deu outra: paguei a passagem com moedas (eram só 3, mas já tá valendo), acidentalmente deixei-as cair e a sensação que eu senti foi simplesmente perfeita! O cara me olhou com um ódio tão grande, e eu quase deixei escapar um "chuupa, otário, não reclamou uma vez que teria de me dar troco?". A educação, porém, eu ainda não perdi... Confesso que me sinto bastante culpada por me sentir tão feliz vendo a desgraça alheia. Nunca pensei que fosse dizer, com a boca cheia, que amei o gostinho da vingança.
Pra vocês verem...



