domingo, 21 de março de 2010
Não venho colocar minha opinião sobre quem é culpado ou quem é inocente, mas a visão que adquiri nesse um ano e dois meses de faculdade de direito.
Em 2008, quando aconteceu o fato, eu ainda estava no cursinho e ainda me encontrava na categoria de futura estudante de medicina, mas já me passava pela cabeça uma questão que muito me incomoda hoje, de como a mídia cria, a seu interesse, grandes espetáculos baseado na desgraça alheia.
Em troca de audiência, se esqueceram de uma mãe que perdeu uma filha, de avós que perderam a neta, e assim por diante.
Também se esqueceram de outras duas crianças que perderam seu pai e sua mãe, e que para sempre serão 'filhos dos assassinos'.
A mídia tem - e deve ter - sua total liberdade de obter e divulgar informações, afinal, este é seu papel, mas é habitual ver que o limite da responsabilidade é brutalmente ultrapassado, sempre esquecendo que por trás de cada fato existem seres humanos, e que esses fatos farão parte de suas vidas para sempre, e não apenas enquanto a notícia for interessante.
Agora, quanto ao julgamento.
Por uma questão ética, os professores não tem comentado muito o caso.
Mas a visão que eu comecei a ter não diz respeito à culpa ou à inocência, mas do julgamento e dos réus em sua totalidade.
Como será formulada a pena, como será a defesa e a acusação, a escolha do júri.
É o primeiro caso que eu acompanho com uma visão jurídica, e não leiga.
Talvez seja a mesma 'emoção' de um estudante de medicina que aprendeu sobre o coração na prática, e assistirá uma cirurgia cardiaca.
Fim.
sábado, 20 de março de 2010
Feliz dia de São José
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Malandragens Comedidas Azuis
Suzana escovava os lisos cabelos loiros no banheiro de sua suíte quando de repente ouviu um barulho aterrorizante. Alguém invadira sua mansão. Desesperada, pegou uma bazuca de bolso que guardava numa das gavetas para eventuais emergências. Desceu a requintada escada de mármore apoiando-se em seu corrimão de ferro fundido, passou pelo piano de cauda de marfim com detalhes talhados a mão e apliques de ouro 937 kilates e chegou, por fim, à sua gloriosa cozinha de filme americano.
Pôde ver um vulto movendo-se na área de serviço, e quando acendeu a luz viu que se tratava de Ricardo. Fitou-o da cabeça aos pés, jogou sua bazuca para trás e, com um olhar sensual, despiu o homenzarrão com os dentes. Fizeram amor em cima da máquina de lavar.
Ricardo, vulgo Ricardão, media 1,90m e tinha as costas largas. Seus cabelos loiros eram lisos e despenteados, e convidavam Suzana a aventuras.
Após duas horas subiram ao quarto de Suzana onde dormiram abraçados até o horário de Ricardo ir trabalhar. O namorado saiu às 8:00h, quinze minutos antes da chegada de Jorge. Jorge era amante de Suzie. Um empresário muito rico e bem sucedido e pai de família. Imponente, o empresário entrou na mansão e foi direto ao quarto da ingênua dama.
Jorge, vulgo Jorjão, media 1,92m e tinha o queixo viril e latino. Seus cabelos castanhos eram espetados e convidavam Suzie a sutis malandragens. Fez o serviço todo em menos de vinte minutos e saiu sem se despedir direito.
Suzana foi até a porta da sala ver se avistava o amante, mas tudo que avistou foi Marcos, o jardineiro. Ao vê-lo sob aquele sol escaldante, sentiu pena e convidou-o para uma limonada.
Meio copo de limonada depois e estavam sobre a mesa italiana de pinho polido brincando discretamente.
Marcos, vulgo Marcão, era um homem mulato de braços fortes. Media 1,93m e seus beiços carnudos convidavam Suzana a brincadeiras discretas. Uma hora e três copos de limonada depois e o serviço de jardinagem estava concluído: todos os “arbustos” devidamente “aparados”.
Ligeiramente cansada, Suzie decidiu assistir aos jogos pan-americanos. Sentou-se em seu sofá de veludo suíço e ligou sua LG Time Machine de 50” de plasma. Em pouco tempo começou a perceber como aquela imagem nítida, em alta resolução e perfeita se tornava monótona depois de um tempo e calculou o estrago que meio copo de limonada (que sobrara) poderia fazer na fiação.
O estrago foi maior que o previsto e ao invés de turvar um pouco, a imagem toda ficou em chuviscos. Desapontada e molhada (de limonada), Suzie teve que chamar o técnico da TV a cabo.
Eficientemente chegou Carlos, o homem da TV a cabo. Com todo o profissionalismo do mundo, diagnosticou que para evitar possíveis curtos deveriam fazer um fio-terra. A idéia “agitou” Suzana. Tamanha agitação só se acalmou com certa atividade antiética sobre a mesa-de-centro da sala.
Carlos, vulgo Carlão, media 1,95m e tinha um olhar penetrante. Apesar da aparência jovial e esportiva, carregava 20 anos em cada perna e mais uns 10 distribuídos por outras partes do corpo.
A atividade antiética foi gentil e delicada, traços de muita experiência e pouca vitalidade; durou aproximadamente meia-hora, mas valeu cada segundo.
Depois de uma manhã tão agitada Suzie não conseguia pensar em outra coisa senão numa boa comida, digo, numa boa refeição. Foi até a cozinha fritar um ovo, mas para seu azar o gás havia acabado. Pediu por um botijão no seu Motorola V3 Rosa e, em meia-hora, chegou Paulo, o entregador da Ultragás.
Paulo, vulgo Paulão, media 1,57m e, de tanto carregar botijões tinha a coluna torta. Homem de inúmeras qualidades, Paulão era manco de um perna, vesgo e tinha a língua presa, o que ocasionava projéteis de baba durante suas falas.
O apelido Paulão se dava devido a um dote de família, presente em todos os representantes masculinos de sua linhagem. Seu charme corcunda convidava Suzie a passatempos adultos.
Após “trocar o botijão” de Suzie, Paulão foi embora sem olhar para trás. Durante a despedida, algumas lágrimas brotaram dos olhos de Suzie, que temia nunca mais encontrar o singelo e humilde entregador de gás que roubara seu coração.
Suzana agora podia “fritar seu ovo”, exceto por um pequeno detalhe do qual havia se esquecido: não sabia fritar ovos.
A ingênua dama ia ter que pedir uma pizza...
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Oktoberfest
Começando agora meu post, vamos falar de política! Sim, esse assunto tão debatido e tão pouco resolvido, que muitas pessoas insistem em deixar de lado e dedicar a ele pouca importância! Esta faca de dois gumes! Esta sujeirada! Este imbróglio que quiproquó!
O que muita gente sabe (ou não) mas que demonstra não saber, é que a política e aqueles homenzinhos que colocamos lá em cima influem direta e indiretamente em grande parte dos fatos corriqueiros do resto de nossas vidas. O preço do feijão, os impostos, o tempo que a sua vózinha vai esperar na fila do posto de saúde, a educação dos seus 5 filhos e os pedágios e buracos que você encontrará nestas longas estradas tortuosas da vida (literalmente)
Acontece que depois todo mundo adora reclamar e usar o substantivo tão adorado pelos rebeldes sem causa - o "governo".
Ah olha esse aquecimento global, maldito governo.
Minha tia foi assaltada as 3 HORAS DA TARDE! Tudo culpa do governo!
O meu cachorro foi atropelado. Odeio o governo.
Queimei o bolo que eu ia fazer pro meu genro, merda de governo.
Então vamos votar direitinho pra depois reclamarmos COM RAZÃO. Tomem cuidado com BBB, Carnaval, Copa do mundo, filme do Lula, euforia das Olimpíadas no Rio... Divirtam-se mas não se deixem influenciar. Pesquisem, leiam sobre os antecedentes dos canditados, pensem! E nada de dizer "ah, não vou votar nesse porque ninguém vai votar nele, daí vou jogar meu voto fora." Ô imbecil, se todas as pessoas pensassem assim, ninguém ganharia. Nada de achar que só existem 2 candidatos no mundo.
( http://www.eleicao2010.net/ - pra você que está mais perdido que chinelo de bêbado em comício )
Eu seu que falei, falei e acabei não dizendo nada, afinal tenho certeza que todos os nossos muitos leitores são espertos e votarão conscientemente ;)
Hasta luego!
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Verniz Queimando
segue, aí, um conto da carochinha, um singelo passa-tempo, para o deleite de alguns e aflição de outros. Se você não tiver muita paciência, pare no meio, ou pare aqui. Mas o ponto é que este meu texto é uma verdadeira lenga-lenga terrível, exatamente oposto a tudo que se considera uma "leitura agradável". Ademais, aproveitem este pergaminho de Satã.
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Tudo começou quando você recebeu este ilustre convite para o iate clube de Florianópolis. Excelente. Mas também não era tão bom assim. Para explicar a situação é preciso remontar às raízes da tua história, para, por fim, atingir o âmago deste tumor que o consome.
Cristiane era a verdadeira antagonista desta tua vida imunda. Mas, morava numa penthouse sofisticada num bairro nobre do seu coração, com vista para o pâncreas e tudo mais.
Você insistentemente a cortejava com propostas rentabilíssimas de programas verdadeiros, com o simples intuito de fazer alguns agrados e poder desfrutar o deleite de sua companhia. Mas, Cristiane nunca podia.
Cristiane não tinha amputado uma perna. Não. Não havia necessidade, nunca sofrera acidentes. Suas pernas passavam bem. Sim. Estavam em condições ótimas, muito obrigado. Mas, esse não é o ponto em que se quer chegar, aqui.
O ponto é que você queria usar drogas (drogas são uma metáfora, gente). Por isso você procurou ajudas múltiplas. Mas, não era bem isso o que estava faltando.
Você podia pegar o telefone e ligar para Cristiane pedindo desculpas por ter rejeitado o saboroso iate clube de Florianópolis. Mas, como se sentiria respeitado depois disso?
Agora eu lembrei porque tinha falado da perna da Cristiane, não quero que pensem que estou ficando esquizofrênico, não, não tem nenhuma vozinha me mandando escrever este texto. Mas... bom em um ponto você já desistiu de argumentar porque você nunca tem a razão, não é mesmo? Isso é o que pensam os gigantes (gigantes é uma metáfora esquizofrênica para amizades) e tudo mais!
SIM!!! Cristiane não tinha uma perna amputada, mas vestia uma carapuça vermelha! ESTE era o ponto em questão. Como um saci pererê, perambulava pelos bairros nobres deste teu patético músculo cardíaco. Entrando nos mais requintados restaurantes e degustando tudo pois tinha um cartão vip.
Mas também, não se importava de jogar lixo nas suas ruas. Não te respeitava tanto quanto acreditava respeitar. Pois, lá no fundo, Cristiane era uma mulher ocupada. Então ela podia atirar latas de cerveja de seu Aston Martin conversível enquanto dirigia pelas suas melhores avenidas.
Você gostaria de ligar, sim, para o celular de Cristiane e passar estas situações a limpo. Mas ela já teria respostas para tudo, você precisa ser mais compreensivo...
Além do mais, Reginaldo a defenderia. Reginaldo, que se apresentava mais simples e sem muita densidade psicológica era, no fundo, complexo e o que mais guardava surpresas, mesmo sem você saber.
Reginaldo também morava num bairro nobre - tinha seu lugar especial, pois merecia -, mas não andava pichando seus muros e degradando o transporte público. Mas às vezes fazia alguns comentários laminados.
Enfim, a represália foi necessária. No seu melhor julgamento! Mas ao invés de conversar com a raposa bacharel em direito, você continuaria queimando no mármore do inferno.
Nem tudo se resolve. Algumas coisas apenas passam. Mas a vida poderá continuar sendo perfeita.
Nos seus sonhos.
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