segunda-feira, 3 de maio de 2010
Jornada
Foi levada para um beco escuro
e assassinada à queima roupa?
Sim.
Não só de universidades estaduais se faz o ser humano.
Outra viagem estava passando pela minha cabeça
Permeando finanças
Administrar nunca é problema
Tanto vacas robustas, quanto as mais fracas
A questão é o equilíbrio
Tudo que representava evasão
Estava espreitando minha mente
Fazendo tocaia
Atrás da moita
Eram pensamentos prontos para receber a deixa
E entrar em cena
Nas tribunas, executivos velhos
Assistiam indiferentes
Não se surpreendiam com os esforços
Mas ao primeiro deslize
Estariam prontos para apontar
Como uma faca que desponta
Cortando o vento
Eu prefiro
Não
Eu vou esperar alguém tropeçar em alguma peça de dominó
Para então lançar mão de argumentos enfileirados
Espero acumular muito poder
Para poder mexer peças de xadrez num tabuleiro
Ao invés de ser mexido
Pela mão que dita e decide
Num braço-de-ferro incandescente
Na guerra, no amor e em festivais aleatórios
Tudo vale, vale tudo
Minha mente viajava
Era só comprar uma passagem e ir.
E a coragem?
A coragem não era uma raposa
Era uma hiena covarde
Que saía para tomar café
E me abandonava ao léu?
Apenas o relógio ergueria a espada contra a covardia
No meio tempo, cigarros queimariam nos cinzeiros
Gelo derreteria aguando o whisky
Os exemplos podiam ser encontrados em estantes
Bem organizados, ou mal
Musicas ecoavam na bela paisagem montanhosa
Hoje o cardápio do bandejão é de bife acebolado
E o suco
De caju
Maldito caju!
Não me surpreendi quando encontrei
cachorros fazendo sujeira sobre meu túmulo
Alguma raposa ia aparecer,
conversar comigo,
e me enganar.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Satisfações
A UNICAMP, essa mademoiselle hitlerista que nos acolhe, é a mesma que apedreja, escarra, pisa no nosso pé e depois nos atira pimenta nos olhos.
Mas, este não vai ser maais um muro de lamentações. Reclamamos demais. É chagada a hora de listar o que também acontece de deleitoso e dionisíaco.
Ontem (quarta-feria, 14) teve um churras aqui na rep. Velho barreiro, 51, Smirnoff e as meninas. Nem só de aulas vive o homem! Hoje acordei uma e pouco da tarde. Sem vontade de ir bandejar.
O brunch foi a refeição matinal, horário de almoço mas com qualidade inferior a de um café da manhã. Não tem palavra pra descrever um pacotinho de bolacha de leite da Bauducco. A seco...
Mas não parou por aí. Quando a fome bateu, lá pras quatro e pouco da tarde, a solução foi sair no meio da aula de g.a. e ir direto rumo à cantina da física, onde uma saborosa coxinha e uma caixa de toddynho me aguardavam. Pra viagem.
E voltei pra aula, que era num auditório do ciclo básico. Com a cozinha e o toddynho mesmo, na frente do professor, como quem faz uma afronta. Duas carteiras ao lado meu colega tirava uma pestana.
A matéria era equações do plano. Mais especificamente as paramétricas. A prova vai ser na semana que vem, 3ª feira. Ou 5ª. Nenhuma me convém.
Voltando à minha rotina pacata não pude deixar de agradecer aos deuses pelo fato de o professor nos ter dispensado uns 35 minutos mais cedo. Fui pra rep. Depois para o mercado. Depois para a academia. Depois para a rep de novo.
Ia ter uma puta duma aula das 9 às 11 da noite, mas não quis ir. Matei.
Grande coisa também. É muito melhor voltar pra casa para ouvir the final countdown do que não fazê-lo.
Depois saí de novo, lá pra meia-noite. Tinha uma festa em uma rep. E os butecos da avenida um.
Eu queria mesmo era ir para o bate-ponto comer espetos e encher a cara de qualquer coisa.
Esqueci de mencionar, mas depois d a bolacha e da coxinha, o mais próximo que cheguei de uma refeição foi um pacote de cheetos laranja. Pelo menos não tem tanto chulé quanto o amarelo.
Mais um restinho de suco de laranja de caxinha.
E ainda tinha que lavar o copo, porque depois do churrasco o caos se instaurou, e vai perdurar até o amanhecer, quando a empregada vier botar os pingos nos is.
Há muito venho protelando posts e muitos posts se perdem. Mas agora eu to aqui, deitado na cama e teclando como alguém que tem alguma coisa relevante pra contar. Não tinha tang no supermercado e não fiz arroz.
3ª feira teve o shopping...
quarta-feira, 31 de março de 2010
Ao mestre... com carinho?!
Como diria o Fernando, se você é contra opiniões polêmicas, aproveite agora mesmo a chance de parar por aqui...
Se continuou, aproveite!
Eu acho muito cômico como pode parecer que a ideia de parar o trânsito da avenida paulista em véspera de feriado pode parecer uma boa ideia para alcançar qualquer benefício.
Primeiro, porque, infelizmente, as pessoas dentro daqueles carros que não conseguiram andar não podem fazer nada além de buzinar, falar uns palavrões e ficar com um humor um pouquinho pior do que o normal.
Além disso, se greve fosse realmente eficiente...
Ok, os salários são baixos.
As condições são péssimas.
Mas os maiores prejudicados dessas greves são os que realmente acreditam estar sendo beneficiados com a falta de aulas: os alunos.
Porque enquanto professores ficarem com essas greves nesse falso marxismo que se prega, com bandeirolas de partidos com idealistas frustrados de partidos e de uma organização sindical que defende os interesses próprios, não só a situação dos professores, mas a de tantas outras classes sindicais continuará como está.
[[Para constar: eu não tenho absolutamente nada contra marx, aliás, simpatizo com muitas ideias dele. Não sou de direita, sou completamente a favor da liberdade de expressão, desde que essa liberdade seja usada com consciência e responsabilidade.]]
Gritar, apitar freneticamente, deslocar uma quantidade imensa de policiais militares para ficar tomando conta de manifestantes, causar o caos não só com motoristas, mas com tantas pessoas que passam na avenida paulista e ganham salários tão baixos quanto... resolveu?
Houve algum aumento salarial de 3,34%?
E os alunos?
Quem está ensinando a eles muito mais do que operações matemáticas, regras gramaticais, história? E mais, quem está ensinando a eles que o que realmente resolve a situação não é quem grita mais alto, é quem usa a voz da razão.
Porque se são - e isso realmente são, não dúvido, não questiono - tão importantes para a formação dos cidadãos de amanhã, ensinem para eles que atitudes extremistas não solucionam.
Ensinem que os bons protestos, não são aqueles que atrapalham, mas os que realmente mudam algo.
Fico pensando: pra que entrar em choque com policiais militares, se estes também necessitam de aumento salarial?
Bombeiros, médicos da rede pública... tantos outros também precisam tanto de aumento, será que não era hora em vez de atrapalhar, juntar as forças em prol do interesse em comum?
quinta-feira, 25 de março de 2010
Essas pessoas não trabalham?
créditos da imagem a Thiago Scarelli/ UOL
Meus AMORES, lanço a seguinte retórica: essas pessoas não trabalham?
Essa é apenas uma das 50 fotos do acervo da uol sobre a ignorância de alguns. Depois que choveu pelo menos as pessoas foram embora, restou esse infeliz, com seus protestos altamente relevantes.
A comoção pública, dadas a frieza e a brutalidade do evento, é até compreensível, mas por uma semana, duas no máximo! Mais de um ano já se passou, mais de um ano!!! E lá permanecem as verdadeiras hordas de interessados no acontecimento. São pessoas que, por excelência, tem tanto a ver com o caso quanto o galho seco tem com a virgindade da macaca.
Se vocês querem, mas se vocês realmente QUEREM, dar bola para o que é divulgado pela imprensa, dêem. Sintam-se à vontade, fiquem chocados. Mas fiquem chocados por 15 minutos, não parem suas vidas por isso.
Ainda mais num país como o Brasil, onde, todos os dias (e várias vezes ao dia!), os direitos da população são insensivelmente atirados da janela do 6º andar.
As pessoas, como o indivíduo da foto, poderiam protestar em prol de algo mais produtivo como maiores volumes de dinheiro publico sendo destinados a saneamento básico ou mesmo cotas de impressão para os alunos de engenharia civil da UNICAMP. Ou então, ordem e progresso permanecerão apenas na nossa bandeira.
Não quis parecer comunista ou qualquer outra coisa (veja que não insisti em velhas raposas e procurei evitar o discurso tipicamente “chato”). Ademais, gostaria de pedir desculpas por estar levando ao fim um texto inútil e absolutamente improdutivo, agradecer à minha colega homônima pelas considerações técnicas e impessoais (graças aos deuses!), e tentar resgatar, nas ultimas linhas que me restam, a possibilidade de dar algum sentido a essa maluquice toda.
Aos leitores, uma charge, para dar utilidade (ainda que frívola) a esta crônica e descontrair:
domingo, 21 de março de 2010
Não venho colocar minha opinião sobre quem é culpado ou quem é inocente, mas a visão que adquiri nesse um ano e dois meses de faculdade de direito.
Em 2008, quando aconteceu o fato, eu ainda estava no cursinho e ainda me encontrava na categoria de futura estudante de medicina, mas já me passava pela cabeça uma questão que muito me incomoda hoje, de como a mídia cria, a seu interesse, grandes espetáculos baseado na desgraça alheia.
Em troca de audiência, se esqueceram de uma mãe que perdeu uma filha, de avós que perderam a neta, e assim por diante.
Também se esqueceram de outras duas crianças que perderam seu pai e sua mãe, e que para sempre serão 'filhos dos assassinos'.
A mídia tem - e deve ter - sua total liberdade de obter e divulgar informações, afinal, este é seu papel, mas é habitual ver que o limite da responsabilidade é brutalmente ultrapassado, sempre esquecendo que por trás de cada fato existem seres humanos, e que esses fatos farão parte de suas vidas para sempre, e não apenas enquanto a notícia for interessante.
Agora, quanto ao julgamento.
Por uma questão ética, os professores não tem comentado muito o caso.
Mas a visão que eu comecei a ter não diz respeito à culpa ou à inocência, mas do julgamento e dos réus em sua totalidade.
Como será formulada a pena, como será a defesa e a acusação, a escolha do júri.
É o primeiro caso que eu acompanho com uma visão jurídica, e não leiga.
Talvez seja a mesma 'emoção' de um estudante de medicina que aprendeu sobre o coração na prática, e assistirá uma cirurgia cardiaca.
Fim.
sábado, 20 de março de 2010
Feliz dia de São José
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Malandragens Comedidas Azuis
Suzana escovava os lisos cabelos loiros no banheiro de sua suíte quando de repente ouviu um barulho aterrorizante. Alguém invadira sua mansão. Desesperada, pegou uma bazuca de bolso que guardava numa das gavetas para eventuais emergências. Desceu a requintada escada de mármore apoiando-se em seu corrimão de ferro fundido, passou pelo piano de cauda de marfim com detalhes talhados a mão e apliques de ouro 937 kilates e chegou, por fim, à sua gloriosa cozinha de filme americano.
Pôde ver um vulto movendo-se na área de serviço, e quando acendeu a luz viu que se tratava de Ricardo. Fitou-o da cabeça aos pés, jogou sua bazuca para trás e, com um olhar sensual, despiu o homenzarrão com os dentes. Fizeram amor em cima da máquina de lavar.
Ricardo, vulgo Ricardão, media 1,90m e tinha as costas largas. Seus cabelos loiros eram lisos e despenteados, e convidavam Suzana a aventuras.
Após duas horas subiram ao quarto de Suzana onde dormiram abraçados até o horário de Ricardo ir trabalhar. O namorado saiu às 8:00h, quinze minutos antes da chegada de Jorge. Jorge era amante de Suzie. Um empresário muito rico e bem sucedido e pai de família. Imponente, o empresário entrou na mansão e foi direto ao quarto da ingênua dama.
Jorge, vulgo Jorjão, media 1,92m e tinha o queixo viril e latino. Seus cabelos castanhos eram espetados e convidavam Suzie a sutis malandragens. Fez o serviço todo em menos de vinte minutos e saiu sem se despedir direito.
Suzana foi até a porta da sala ver se avistava o amante, mas tudo que avistou foi Marcos, o jardineiro. Ao vê-lo sob aquele sol escaldante, sentiu pena e convidou-o para uma limonada.
Meio copo de limonada depois e estavam sobre a mesa italiana de pinho polido brincando discretamente.
Marcos, vulgo Marcão, era um homem mulato de braços fortes. Media 1,93m e seus beiços carnudos convidavam Suzana a brincadeiras discretas. Uma hora e três copos de limonada depois e o serviço de jardinagem estava concluído: todos os “arbustos” devidamente “aparados”.
Ligeiramente cansada, Suzie decidiu assistir aos jogos pan-americanos. Sentou-se em seu sofá de veludo suíço e ligou sua LG Time Machine de 50” de plasma. Em pouco tempo começou a perceber como aquela imagem nítida, em alta resolução e perfeita se tornava monótona depois de um tempo e calculou o estrago que meio copo de limonada (que sobrara) poderia fazer na fiação.
O estrago foi maior que o previsto e ao invés de turvar um pouco, a imagem toda ficou em chuviscos. Desapontada e molhada (de limonada), Suzie teve que chamar o técnico da TV a cabo.
Eficientemente chegou Carlos, o homem da TV a cabo. Com todo o profissionalismo do mundo, diagnosticou que para evitar possíveis curtos deveriam fazer um fio-terra. A idéia “agitou” Suzana. Tamanha agitação só se acalmou com certa atividade antiética sobre a mesa-de-centro da sala.
Carlos, vulgo Carlão, media 1,95m e tinha um olhar penetrante. Apesar da aparência jovial e esportiva, carregava 20 anos em cada perna e mais uns 10 distribuídos por outras partes do corpo.
A atividade antiética foi gentil e delicada, traços de muita experiência e pouca vitalidade; durou aproximadamente meia-hora, mas valeu cada segundo.
Depois de uma manhã tão agitada Suzie não conseguia pensar em outra coisa senão numa boa comida, digo, numa boa refeição. Foi até a cozinha fritar um ovo, mas para seu azar o gás havia acabado. Pediu por um botijão no seu Motorola V3 Rosa e, em meia-hora, chegou Paulo, o entregador da Ultragás.
Paulo, vulgo Paulão, media 1,57m e, de tanto carregar botijões tinha a coluna torta. Homem de inúmeras qualidades, Paulão era manco de um perna, vesgo e tinha a língua presa, o que ocasionava projéteis de baba durante suas falas.
O apelido Paulão se dava devido a um dote de família, presente em todos os representantes masculinos de sua linhagem. Seu charme corcunda convidava Suzie a passatempos adultos.
Após “trocar o botijão” de Suzie, Paulão foi embora sem olhar para trás. Durante a despedida, algumas lágrimas brotaram dos olhos de Suzie, que temia nunca mais encontrar o singelo e humilde entregador de gás que roubara seu coração.
Suzana agora podia “fritar seu ovo”, exceto por um pequeno detalhe do qual havia se esquecido: não sabia fritar ovos.
A ingênua dama ia ter que pedir uma pizza...
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