segunda-feira, 23 de novembro de 2009

DEVER CUMPRIDO


É... faz tempo que eu não escrevo.
Por que não, então, após um fim de semana de FUVEST?
Escrevo em 1ª pessoa, porém tenho certeza de que o que direi aqui se encaixa pra muitos.
2009 praticamente terminou, e como passou rápido!
Um ano de luta, muito sacrifício, com certeza. Muito estudo, abdicações e, enfim, a fase decisiva chegou (ou não).
Não, eu não passei pra segunda fase de Medicina na USP. Isso não significa que eu não esteja feliz. Sabe... é muito bom perceber uma evolução. E como eu evolui durante esse ano. Aprendi tantas coisas, não apenas matérias, mas como estudar e o que estudar; percebi que sim, apesar de tantas pessoas dizendo "Vai prestar Medicina, você é louca?", é possível passar, as vagas estão lá pra isso. O importante é que cada um faça sua parte. Eu fiz a minha, estudei e, apesar de tantas crises, pude dar o meu melhor, eu sei disso. Agora, se as coisas darão certo já é outra história.
Acredito que tudo o que é nosso está guardado e ninguém arranca de nós. Claro, não adianta ficar sem fazer nada o ano inteiro e esperar que a vaga caia do céu. A história, porém, é outra. Estudei e sei que fiz o que pude. Agora é torcer muito pra tudo dar certo.
E se não for a hora, não será. :)
Afinal, é mesmo como o Frank disse: "Se não for a hora não adianta nada. Não é uma prova que vai decidir o seu futuro. Você pode muito bem passar e, a caminho de fazer a matrícula, ser atropelado por um ônibus e morrer" hauhauhaua.
Não deixa de ser verdade.
Dedico esse post, portanto, a todos que prestaram FUVEST ontem e que, mesmo que não tenham conseguido, sintam-se com a sensação de dever cumprido.

sábado, 21 de novembro de 2009

Não tem título

Não tem, porque não precisa!

sábado, 24 de outubro de 2009

...agora come!

Essa saiu do título, que surgiu de uma epifania que tive enquanto caminhava pelas ruas de Barão Gerlado, voltando da UNICAMP para casa.

"Não-dedico" – e nem, muito menos, recomendo – a moralistas, evangélicos e sobretudo àqueles que acabram de comer.

Quanto ao restante, desejo apenas uma boa leitura. Com vocês,

.

agora come...

Não lembro quando tudo isso começou. Tudo que me vem à cabeça são flashes do passado. Flashes esporádicos de muito tempo atrás, mas que vão ficando mais assíduos gradualmente.

Lembro-me particularmente bem de um episódio, dos tempos de criança, quando precisava fazer uns exames de sangue e, nas semanas seguintes, ficar tomando uns remédios horríveis. Foi numa dessas que isso aconteceu.

Amolecida pela minha situação de misericórdia, a governanta ofereceu-me se não queria pedir algum prato diferente, talvez para esquecer o amargor do remédio. Pedi sushi. Mas era sashimi o que eu queria na verdade. Como toda criança, curioso.

A manhã estava chuvosa. A bem da verdade tava caindo uma tempestade. Mas, sempre inabalável, Cleide saiu com guarda-chuva e sua bolsa atrás de sashimi para mim.

Uma hora depois, lá estava eu, sentado à mesa, e o meu sashimi, me encarando do prato. Já estava me questionando se tinha sido uma boa idéia quando deu o horário do almoço. Aí, Cleide apareceu com as duas tampinhas cheias daqueles dois líquidos do inferno.

Como sempre, o remédio tava péssimo. O sashimi era pior ainda, dava vontade de vomitar. Cleide havia saído no meio do dilúvio para ir buscar aquele troço pra mim. Mas, dava vontade de vomitar. Olhei para ela com cara de dó, mas acho que seus sapatos encharcados falaram mais alto.

-É muito ruim, não quero! E agora?

-Já comprei, agora come!

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Com relação à segunda recordação, tive que ser bem mais seletivo com os fatos. Estava no Animal Kingdon andando com o Rafa, resolvi comprar uma turkey leg. É algo bem pitoresco de se ver, quis experimentar.

Comprei.

Experimentei.

Muito bom o sabor. Delícia. Mas o problema veio depois da 182ª mordida, quando minha refeição começou a ficar um pouquinho indigesta. Eu tava acabando ...de chegar na metade!

Em seguida a Lari apareceu com um sorriso lindo, me olhando e se divertindo com a minha situação. Eu tava pra explodir, desesperado. Agonizado, olhei pra ela suplicando ajuda, antes de ela sair deleitando-se da minha aflição:

- E agora?

- Agora come!

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Muito tempo depois, para cumprir o ciclo, a história se repetiu. Tinha pegado uma sueca linda na festa da noite anterior. Cabelos louros sedosos e um belo par de olhos verdes. Corpo atlético, muito bem definido e dotado de curvas sinuosas. Não me lembrava muito bem da ação, talvez embriagados tenhamos empacotado ali mesmo.

Acordei amassado naquele quarto de hotel, preparado para finalmente beijar minha princesa. Não sei, dizem que uma desgraça nunca vem sozinha: ou ela havia quebrado o recorde mundial de 'engordamento' em menor período de tempo (da noite pro dia!) ou eu estivera um pouquinho bêbado na noite anterior.

Grande musa (mais “grande” do que “musa”...), cabelo oxigenado medonho e um certo par de olhos vesgos. Gordona, esperava por mim. Deitada na cama, mórbida, de pernas abertas...

E agora?...

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Revolução Sonolenta


Ontem eu conversei rapidamente com uma pessoa que me sugeriu: ''e você tem sono: durma; jogue um pouquinho as coisas para o alto...''

Certo, são duas coisas obvias e fáceis de serem feitas na teoria, mas na prática... quase impossível.Uma vez eu escutei um frase interessante ''o ser humano é o único animal que dorme sem estar com sono, e acorda quando ainda está cansado".
Tem frase mais verdadeira que essa?!

Não sou rebelde, nem contrária organização do dia-a-dia em horas, mas as vezes me pergunto, precisava mesmo ser tão cedo?
Será que é mesmo tão vantajoso ter aula/trabalho/curso as 7h? Não seria melhor as 8h? Analisando friamente, são só 60 minutos a mais na cama... mas uma pessoa que dorme 60 minutos a mais, com ctz é mais paciente, mais racional, mais humana.


Mas voltando ao mundo real, onde as pessoas acordam as 5h...

De uns anos para cá - para ser mais exata, desde 2007 quando começei a fazer cursinho - dormir é mais uma das coisas que eu faço não pelo prazer de relaxar depois de um dia cansativo por ter feito tantas coisas úteis, mas por um estado de quase exaustão mental.

Ok, amo a profissão que escolhi, mas são tantas informações tão diferentes, que eu penso como é possível aprender tanta coisa, e como eu farei para lembrar disso tudo daqui alguns anos.
Pra que eu estudo Locke, Hobbes e Rousseau em três matérias diferentes se no exame da ordem ninguém vai perguntar isso... eu preciso saber a teoria de cada um, mas não tudo, nem o nome dos filhos, o nome do cachorro.

Hoje me dei um presente...
Na verdade, foi mais que um presente... foi liberdade.
Já que Locke, Hobbes, Rousseau, Kant, Hegel e tantos outros, entraram em minha casa, abriram minha geladeira e sentaram na poltrona para assistir tv, na mais justo que usar o conceito de liberdade de Rousseau para explicar meu ato nesta chuvosa manhã de quinta-feira:
"Livre é aquele que é autônomo, ou seja, livre é aquele que toma suas próprias decisões''.
* Eu acordei com uma puta dor de garganta, mas sou adepta do 'só falto se estiver morrendo meeesmo', eu estava disposta a levantar, me arrumar, entrar na van e aguentar duas aulas de filosofia e duas aulas de Introdução ao Estudo de Direito. Nisso, minha consciência entrou em choque com a minha razão, e 5:10h da manhã eu discutia internamente o que seria mais lucrativo.
Eu já estava em pé, indo para o banheiro começar a me arrumar, quando o 'anjinho' [sim, eu disse o anjinho] da consciência berrou no meu ombro 'Menina, vc tem o que na cabeça? Vaiii dormir caramba, você está cansada, doente...''.

Nesse instante, usei e abusei da minha autonomia, mudei a direção e entrei no quarto da minha mãe, anunciei [com uma voz mais rouca que a do Darth Vader]: "Mãe, não vou hoje!". Liguei para o motorista da van, me afundei nas cobertas e acordei 10h da manhã.

E quer saber, foi a melhor coisa que eu poderia ter feito!




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Gostinho da Vingança



Nunca pensei que fosse me sentir tão realizada por me vingar. Geralmente, sou reconhecida por ser boboca, amante das pessoas - principalmente crianças - e bichinhos, e boazinha demais. Realmente, é muito difícil de alguém me ouvir dizer "Odeio fulano".
Existe um Fulano, porém, que é o escolhido pra representar todas as pessoas que eu 'não me agrado'. Na verdade, eu tenho de admitir que sinto muito ódio dele. Raiva, raiva, muuita raiva. Se bem que ontem pude extravasar, relaxar, e agora esta pessoa é menos que uma planária na minha vida :D
Quem é ele? Um mero motorista de ônibus.
Sabe quando você entra no veículo, lotadaaaaço, com aquelas pessoas naturalmente cheirosas e belas e, pra ajudar, um motorista mal humorado olha pra tua cara como se tivesse engolindo constantemente algo semelhante à merda, ou sei lá, qualquer outra coisa nojenta e desagradável? Pois é, esse é o dito cujo: um simpatissíssimo motorista que demonstra estar completamente de bem com a vida, se é que você me entende.
Foram três experiências: a primeira vez que entrei no ônibus, o sujeito começou a xingar baixo e resmungar porque eu tinha dado uma nota de R$10,00 e ele, sendo também o cobrador, teria trabalho pra me dar o troco; a segunda vez, com o ônibus lotado (e já tendo enfrentado mais uma vez aquela cara agradabilíssima), a simpática criatura não parou no ponto que eu desceria. Já fiquei muito, mas muito puta com a situação. Pra piorar maais, a gota d'água foi quando, numa terceira vez, ele novamente não parou no ponto que eu solicitei. Resultado: saí espumando do ônibus, xingando a Virgem Maria e todos os santos, e prometi pra mim mesma que não iria mais pisar naquela escada e subir naquele maldito ônibus.
Comentando o assunto com um colega no cursinho, pude enxergar a situação por uma outra perspectiva: "Se o cara é mal humorado sem motivos, teoricamente eu deveria dar algum motivo pra ele realmente ficar mal humorado!". E, realmente... por que eu deixaria o cara estragar meu dia? Eu tinha que estragar o dia dele também! Assim, ele teria motivos pra ter aquela cara de idiota. A sugestão que meu colega deu? "Se eu fosse você, levava o dinheiro da passagem em moedinhas de R$0,05 e, acidentalmente, derrubaria tudo, olharia pra cara do motorista, diria 'relaxa companheiro, tá certinho' e passaria pela catraca alegre, sorridente e cantando, é claro".
Puts, fiquei pensando. Isso seria uma solução melhor do que a encontrada por mim, que era a de, quando eu via que era o tal motorista, entrava no ônibus, olhava pra cara dele, e saía. Poooxa, mas assim eu é que estaria me prejudicando, certo?
E onteeeeeeeem, por uma simples coincidência do destino, qual o ônibus que eu encontrei? Siiiim, meu amigão (6). Não deu outra: paguei a passagem com moedas (eram só 3, mas já tá valendo), acidentalmente deixei-as cair e a sensação que eu senti foi simplesmente perfeita! O cara me olhou com um ódio tão grande, e eu quase deixei escapar um "chuupa, otário, não reclamou uma vez que teria de me dar troco?". A educação, porém, eu ainda não perdi... Confesso que me sinto bastante culpada por me sentir tão feliz vendo a desgraça alheia. Nunca pensei que fosse dizer, com a boca cheia, que amei o gostinho da vingança.
Pra vocês verem...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aula de Geologia

Aula de Geologia (na UNICAMP)

NAPOLEÃO!

Blá blá blá
blá "blá" blá
Blá blá (blá)
blá blá blá

whiskas sachê
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uma Odisséia Urbana

Você estava quieto, na sua, mas aí entrou numa fria. Apostou todas as suas fichas na mesa errada, seu cavalo chegou em último.

Tudo o que você desejava era um drink tropical, acompanhado de uma prostituta morena e disciplinada, com aquele bom e velho sotaque caribeño. A ganância, entretanto, ludibriou-te e foragiu-te. Hoje, não tens mais aquela imponente e bela mansão a beira-mar. Tens este esquizofrênico companheiro de cela.

Aquela cantora negra pegou um isqueiro e acendeu o fogo na tua unha, a dor foi insuportável. Quando o fogo cessou, porém, a dor permaneceu. Não consegues esquecer a humilhação pela qual passou. O sofrimento virou teu nome do meio.

Querias comprar uma capa preta, para esconder tua vergonha e cobrir o rosto, mas a última da loja havia sido vendida para um indigente.

Agora você está na praça da Sé, lembrando momentos de teu pretérito asqueroso. O céu está nublado, mas não vai chover. Não enquanto você estiver aí: A chuva se recusa a cair e lavar teus erros.

Então, Marcos lembrou-se de Moçambique, gostaria de voltar para rever a família, mas não tinha dinheiro para a passagem. Lágrimas vagas escorriam de seu olhar perdido.

A infelicidade tomava conta do caráter de Marcos que era constantemente rejeitado pela alegre e impetuosa sociedade. Velhos orelhões indicavam o vandalismo presente em certas regiões de cidade grande.

Um templo tailandês era outro aviso de que teu prestígio havia feito as malas e fugido com o vizinho. Você estava só, patético e chifrado.

Ora pois, sua situação era muito ruim, mas ficou pior quando o carcereiro descobriu que a mulher o traía. A partir desta célebre ocasião, passaste a apanhar diariamente.

Apesar de ler alguns livros, você não sabia nada. Tudo ainda ficou muito pior depois de descobrirem aquela suástica tatuada nas suas costas. “Jogos são apenas jogos” era o que repetia teu pai, em vão. Outros peões de obra assobiavam e ofendiam gostosas mulheres que desfilavam em frente àquela construção.

2º ato
Tudo o que você fez foi perder. Perdeste o barco, a casa, a mãe e a dignidade. Não obstante, continuou a humilhar o sobrenome.

Consuelo, a gorda mexicana que cuidava da casa e cozinhava como uma deusa, sentiu-se desapontada.

Guadalupe, a morena prostituta que satisfazia suas fantasias suínas, tentou fugir com o conversível e o segurança.

Jorge, o segurança mulato, teve de procurar novo emprego e ganhou a vida como ator pornô.

Sua Velha Mãe, aquela senhora respeitável, foi morar com seu irmão, aquele ator bonvivan de sucesso e dentes brancos.

A barba de bêbado te conferia um ar profundamente derrotado e patético. Sem mais chances ou alternativas, havia lhe restado apenas uma saída.

Aquele revolver imundo já estava enferrujado. Pelos teus cálculos apelativos e desesperados resolveria tudo em questão de segundos.

Com o cano gelado tocando a língua e os lábios, apertou fundo os olhos e o gatilho. Algo deu errado, não havia mais bala. Lembrou-te que a havias perdido noutra aposta, não havia mais bala...

Desta vez poderia ter dado certo, mas fracassou.
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