quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010, saúde!


Hoje senti uma inspiração muito grande pra escrever, confesso que será um desabafo.
2009 chegou ao fim, e como passou rápido! Tanta coisa aconteceu, tantas mudanças, alegrias, tristezas...
Pra quem não me conhece, ou me conhece pouco, sou vestibulanda e estou prestando Medicina. Mais especificamente, gostaria de me especializar em Oncologia e pretendo, inclusive, realizar pesquisas nesta área. Claro, não tenho certeza absoluta de nada, nem se conseguirei cursar a faculdade hehehehe, este é apenas o meu plano A.
Acontece que, neste ano que passou, perdi uma prima vítima de câncer, assim como tenho um tio que também passa pelo mesmo sofrimento. Hoje fui, inclusive, visitá-lo no interior de SP, na cidade de Rio Claro. Sem dúvida realizei uma boa ação no último dia do ano. Entrei no quarto, não me recordava da fisionomia dele que é, na verdade, meu tio-avô. A primeira coisa que notei foi o sorriso em seu rosto, e ele disse "Oh minha fia, como você cresceu!" (pra vocês verem que há muito tempo mesmo não nos víamos já que, quem me conhece, sabe que eu não sou nem um pouco alta rs); a última vez que o vi eu tinha 7/8 anos. Tive uma ternura tão grande por aquele velhinho assim que entrei naquele quarto e senti uma necessidade tão grande de ficar ali, segurar sua mão, fazer carinho nele e tentar consolá-lo de alguma maneira... e olha, confesso que antes de entrar no quarto (apenas um visitante por vez) eu até tinha um certo receio por não lembrar direito dele e, talvez, ficar sem assunto. Fui forte.
Meu tio fez uma cirurgia há poucos dias e retirou um tumor de 3 kg do abdômen. Gente, juro, eu custei a acreditar, mas é verdade. Aí a gente se pergunta: "Como isso pôde ter se desenvolvido tanto e ninguém ter percebido?". É tanta coisa que não entra na minha cabeça. Os médicos já nos prepararam pro pior. O que entra em questão é que, meu Deus, como pode haver tanto sofrimento? Eu não consigo me conformar com certas coisas. Será castigo por erros cometidos anteriormente? Será alguma forma de penitência? Uma vez ouvi uma senhora dizer que "Tudo o que aqui [Terra] se faz, aqui se paga". Será?
Dentro do quarto, como eu disse, me mantive forte. Tentei de todas as maneiras fazer com que ele se sentisse melhor, mostrar que apesar de tudo nós estávamos ali e torcíamos, aliás, torcemos muito por ele. Reparei no corte na barriga nele, nos braços roxinhos de tanto soro e perguntei pra enfermeira qual o medicamento que ele estava tomando no momento e o que ele teria de fazer em seguida. Ela disse que iria precisar passar a sonda. Sem dúvida essa foi a pior parte, meu tio virou e disse "Meu Deus, a sonda não! Não tem outro jeito? Dói tanto, taaanto...". É tão triste lembrar disso, mas preciso tentar passar pra vocês o que eu senti e como me sinto agora.
Será que eu consigo seguir essa carreira? Assim que saí do quarto eu desabei, meus olhos já não sustentavam mais a serenidade de antes. É tão difícil! Sei que vou perder muitos pacientes e que é, sim, muito triste ver as pessoas nessa situação. Ao mesmo tempo entro em conflito pensando que, apesar de tudo, quero fazer o que puder pra poder arrancar um sorriso que seja do rosto dessas pessoas. Será que eu sou forte o suficiente?
É por isso que eu desejo muita sáude pra todos em 2010.
É nessas horas que a gente percebe que não é absolutamente nada aqui na Terra.
Temos é de agradecer a Deus por cada dia, e aproveitar a vida como se fosse nosso último dia aqui.
Tanta gente reclamando por coisas tão fúteis e, ao mesmo tempo, tanta gente pedindo apenas por não sentir dor...
Eis a vida, e viver não é fácil!
É isso.
Beijão, Feliz 2010!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

DEVER CUMPRIDO


É... faz tempo que eu não escrevo.
Por que não, então, após um fim de semana de FUVEST?
Escrevo em 1ª pessoa, porém tenho certeza de que o que direi aqui se encaixa pra muitos.
2009 praticamente terminou, e como passou rápido!
Um ano de luta, muito sacrifício, com certeza. Muito estudo, abdicações e, enfim, a fase decisiva chegou (ou não).
Não, eu não passei pra segunda fase de Medicina na USP. Isso não significa que eu não esteja feliz. Sabe... é muito bom perceber uma evolução. E como eu evolui durante esse ano. Aprendi tantas coisas, não apenas matérias, mas como estudar e o que estudar; percebi que sim, apesar de tantas pessoas dizendo "Vai prestar Medicina, você é louca?", é possível passar, as vagas estão lá pra isso. O importante é que cada um faça sua parte. Eu fiz a minha, estudei e, apesar de tantas crises, pude dar o meu melhor, eu sei disso. Agora, se as coisas darão certo já é outra história.
Acredito que tudo o que é nosso está guardado e ninguém arranca de nós. Claro, não adianta ficar sem fazer nada o ano inteiro e esperar que a vaga caia do céu. A história, porém, é outra. Estudei e sei que fiz o que pude. Agora é torcer muito pra tudo dar certo.
E se não for a hora, não será. :)
Afinal, é mesmo como o Frank disse: "Se não for a hora não adianta nada. Não é uma prova que vai decidir o seu futuro. Você pode muito bem passar e, a caminho de fazer a matrícula, ser atropelado por um ônibus e morrer" hauhauhaua.
Não deixa de ser verdade.
Dedico esse post, portanto, a todos que prestaram FUVEST ontem e que, mesmo que não tenham conseguido, sintam-se com a sensação de dever cumprido.

sábado, 21 de novembro de 2009

Não tem título

Não tem, porque não precisa!

sábado, 24 de outubro de 2009

...agora come!

Essa saiu do título, que surgiu de uma epifania que tive enquanto caminhava pelas ruas de Barão Gerlado, voltando da UNICAMP para casa.

"Não-dedico" – e nem, muito menos, recomendo – a moralistas, evangélicos e sobretudo àqueles que acabram de comer.

Quanto ao restante, desejo apenas uma boa leitura. Com vocês,

.

agora come...

Não lembro quando tudo isso começou. Tudo que me vem à cabeça são flashes do passado. Flashes esporádicos de muito tempo atrás, mas que vão ficando mais assíduos gradualmente.

Lembro-me particularmente bem de um episódio, dos tempos de criança, quando precisava fazer uns exames de sangue e, nas semanas seguintes, ficar tomando uns remédios horríveis. Foi numa dessas que isso aconteceu.

Amolecida pela minha situação de misericórdia, a governanta ofereceu-me se não queria pedir algum prato diferente, talvez para esquecer o amargor do remédio. Pedi sushi. Mas era sashimi o que eu queria na verdade. Como toda criança, curioso.

A manhã estava chuvosa. A bem da verdade tava caindo uma tempestade. Mas, sempre inabalável, Cleide saiu com guarda-chuva e sua bolsa atrás de sashimi para mim.

Uma hora depois, lá estava eu, sentado à mesa, e o meu sashimi, me encarando do prato. Já estava me questionando se tinha sido uma boa idéia quando deu o horário do almoço. Aí, Cleide apareceu com as duas tampinhas cheias daqueles dois líquidos do inferno.

Como sempre, o remédio tava péssimo. O sashimi era pior ainda, dava vontade de vomitar. Cleide havia saído no meio do dilúvio para ir buscar aquele troço pra mim. Mas, dava vontade de vomitar. Olhei para ela com cara de dó, mas acho que seus sapatos encharcados falaram mais alto.

-É muito ruim, não quero! E agora?

-Já comprei, agora come!

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Com relação à segunda recordação, tive que ser bem mais seletivo com os fatos. Estava no Animal Kingdon andando com o Rafa, resolvi comprar uma turkey leg. É algo bem pitoresco de se ver, quis experimentar.

Comprei.

Experimentei.

Muito bom o sabor. Delícia. Mas o problema veio depois da 182ª mordida, quando minha refeição começou a ficar um pouquinho indigesta. Eu tava acabando ...de chegar na metade!

Em seguida a Lari apareceu com um sorriso lindo, me olhando e se divertindo com a minha situação. Eu tava pra explodir, desesperado. Agonizado, olhei pra ela suplicando ajuda, antes de ela sair deleitando-se da minha aflição:

- E agora?

- Agora come!

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Muito tempo depois, para cumprir o ciclo, a história se repetiu. Tinha pegado uma sueca linda na festa da noite anterior. Cabelos louros sedosos e um belo par de olhos verdes. Corpo atlético, muito bem definido e dotado de curvas sinuosas. Não me lembrava muito bem da ação, talvez embriagados tenhamos empacotado ali mesmo.

Acordei amassado naquele quarto de hotel, preparado para finalmente beijar minha princesa. Não sei, dizem que uma desgraça nunca vem sozinha: ou ela havia quebrado o recorde mundial de 'engordamento' em menor período de tempo (da noite pro dia!) ou eu estivera um pouquinho bêbado na noite anterior.

Grande musa (mais “grande” do que “musa”...), cabelo oxigenado medonho e um certo par de olhos vesgos. Gordona, esperava por mim. Deitada na cama, mórbida, de pernas abertas...

E agora?...

.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Revolução Sonolenta


Ontem eu conversei rapidamente com uma pessoa que me sugeriu: ''e você tem sono: durma; jogue um pouquinho as coisas para o alto...''

Certo, são duas coisas obvias e fáceis de serem feitas na teoria, mas na prática... quase impossível.Uma vez eu escutei um frase interessante ''o ser humano é o único animal que dorme sem estar com sono, e acorda quando ainda está cansado".
Tem frase mais verdadeira que essa?!

Não sou rebelde, nem contrária organização do dia-a-dia em horas, mas as vezes me pergunto, precisava mesmo ser tão cedo?
Será que é mesmo tão vantajoso ter aula/trabalho/curso as 7h? Não seria melhor as 8h? Analisando friamente, são só 60 minutos a mais na cama... mas uma pessoa que dorme 60 minutos a mais, com ctz é mais paciente, mais racional, mais humana.


Mas voltando ao mundo real, onde as pessoas acordam as 5h...

De uns anos para cá - para ser mais exata, desde 2007 quando começei a fazer cursinho - dormir é mais uma das coisas que eu faço não pelo prazer de relaxar depois de um dia cansativo por ter feito tantas coisas úteis, mas por um estado de quase exaustão mental.

Ok, amo a profissão que escolhi, mas são tantas informações tão diferentes, que eu penso como é possível aprender tanta coisa, e como eu farei para lembrar disso tudo daqui alguns anos.
Pra que eu estudo Locke, Hobbes e Rousseau em três matérias diferentes se no exame da ordem ninguém vai perguntar isso... eu preciso saber a teoria de cada um, mas não tudo, nem o nome dos filhos, o nome do cachorro.

Hoje me dei um presente...
Na verdade, foi mais que um presente... foi liberdade.
Já que Locke, Hobbes, Rousseau, Kant, Hegel e tantos outros, entraram em minha casa, abriram minha geladeira e sentaram na poltrona para assistir tv, na mais justo que usar o conceito de liberdade de Rousseau para explicar meu ato nesta chuvosa manhã de quinta-feira:
"Livre é aquele que é autônomo, ou seja, livre é aquele que toma suas próprias decisões''.
* Eu acordei com uma puta dor de garganta, mas sou adepta do 'só falto se estiver morrendo meeesmo', eu estava disposta a levantar, me arrumar, entrar na van e aguentar duas aulas de filosofia e duas aulas de Introdução ao Estudo de Direito. Nisso, minha consciência entrou em choque com a minha razão, e 5:10h da manhã eu discutia internamente o que seria mais lucrativo.
Eu já estava em pé, indo para o banheiro começar a me arrumar, quando o 'anjinho' [sim, eu disse o anjinho] da consciência berrou no meu ombro 'Menina, vc tem o que na cabeça? Vaiii dormir caramba, você está cansada, doente...''.

Nesse instante, usei e abusei da minha autonomia, mudei a direção e entrei no quarto da minha mãe, anunciei [com uma voz mais rouca que a do Darth Vader]: "Mãe, não vou hoje!". Liguei para o motorista da van, me afundei nas cobertas e acordei 10h da manhã.

E quer saber, foi a melhor coisa que eu poderia ter feito!




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Gostinho da Vingança



Nunca pensei que fosse me sentir tão realizada por me vingar. Geralmente, sou reconhecida por ser boboca, amante das pessoas - principalmente crianças - e bichinhos, e boazinha demais. Realmente, é muito difícil de alguém me ouvir dizer "Odeio fulano".
Existe um Fulano, porém, que é o escolhido pra representar todas as pessoas que eu 'não me agrado'. Na verdade, eu tenho de admitir que sinto muito ódio dele. Raiva, raiva, muuita raiva. Se bem que ontem pude extravasar, relaxar, e agora esta pessoa é menos que uma planária na minha vida :D
Quem é ele? Um mero motorista de ônibus.
Sabe quando você entra no veículo, lotadaaaaço, com aquelas pessoas naturalmente cheirosas e belas e, pra ajudar, um motorista mal humorado olha pra tua cara como se tivesse engolindo constantemente algo semelhante à merda, ou sei lá, qualquer outra coisa nojenta e desagradável? Pois é, esse é o dito cujo: um simpatissíssimo motorista que demonstra estar completamente de bem com a vida, se é que você me entende.
Foram três experiências: a primeira vez que entrei no ônibus, o sujeito começou a xingar baixo e resmungar porque eu tinha dado uma nota de R$10,00 e ele, sendo também o cobrador, teria trabalho pra me dar o troco; a segunda vez, com o ônibus lotado (e já tendo enfrentado mais uma vez aquela cara agradabilíssima), a simpática criatura não parou no ponto que eu desceria. Já fiquei muito, mas muito puta com a situação. Pra piorar maais, a gota d'água foi quando, numa terceira vez, ele novamente não parou no ponto que eu solicitei. Resultado: saí espumando do ônibus, xingando a Virgem Maria e todos os santos, e prometi pra mim mesma que não iria mais pisar naquela escada e subir naquele maldito ônibus.
Comentando o assunto com um colega no cursinho, pude enxergar a situação por uma outra perspectiva: "Se o cara é mal humorado sem motivos, teoricamente eu deveria dar algum motivo pra ele realmente ficar mal humorado!". E, realmente... por que eu deixaria o cara estragar meu dia? Eu tinha que estragar o dia dele também! Assim, ele teria motivos pra ter aquela cara de idiota. A sugestão que meu colega deu? "Se eu fosse você, levava o dinheiro da passagem em moedinhas de R$0,05 e, acidentalmente, derrubaria tudo, olharia pra cara do motorista, diria 'relaxa companheiro, tá certinho' e passaria pela catraca alegre, sorridente e cantando, é claro".
Puts, fiquei pensando. Isso seria uma solução melhor do que a encontrada por mim, que era a de, quando eu via que era o tal motorista, entrava no ônibus, olhava pra cara dele, e saía. Poooxa, mas assim eu é que estaria me prejudicando, certo?
E onteeeeeeeem, por uma simples coincidência do destino, qual o ônibus que eu encontrei? Siiiim, meu amigão (6). Não deu outra: paguei a passagem com moedas (eram só 3, mas já tá valendo), acidentalmente deixei-as cair e a sensação que eu senti foi simplesmente perfeita! O cara me olhou com um ódio tão grande, e eu quase deixei escapar um "chuupa, otário, não reclamou uma vez que teria de me dar troco?". A educação, porém, eu ainda não perdi... Confesso que me sinto bastante culpada por me sentir tão feliz vendo a desgraça alheia. Nunca pensei que fosse dizer, com a boca cheia, que amei o gostinho da vingança.
Pra vocês verem...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aula de Geologia

Aula de Geologia (na UNICAMP)

NAPOLEÃO!

Blá blá blá
blá "blá" blá
Blá blá (blá)
blá blá blá

whiskas sachê
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